Existe em mim uma vitalidade nova e inexplicável.
Não me sinto com 35, assim como não me senti com 30 e não soube muito bem estabelecer a real diferença entre 18 e 25.
Construí inconscientemente uma relação atemporal com a idade.
Celebrei-me, recentemente, apartada das minhas origens. Talvez pela primeira vez tenha pensando de fato no sentido de uma idade. Não em seu peso _ ela ainda não me sufoca _, mas no que tenho e no que me falta.
Tenho:
uma vida livre e descompromissada;
"no real job";
milhões de livros dispostos em seis bibliotecas;
novos grandes amigos;
novas pessoas chatas no ciclo social _ o que vai haver em todos momentos da vida (especialmente a grega bélica com seu inglês incompreensível);
vício por chá com leite (tenho que admitir isso publicamente);
novos hábitos alimentares (praticamente sem carne);
a bicicleta vermelha;
duas roupas de cama;
cinco sapatos (e a doce lembrança dos 95 que ficaram no Brasil);
a saudade do país, das origens, de feijoada, picanha, coxinha, bolinho de bacalhau e chope gelado;
três ou quatro quilos a menos;
um novo corte de cabelo;
milhões de dúvidas políticas na cabeça;
as mais sérias indagações da história sobre o futuro profissional;
medo;
pontadas estranhas de solidão (mesmo morando ao lado de quem me conforta);
fortíssimas inspirações socialistas;
uma libido (in)contida;
um coração aberto, mas apertado;
juventude (e o que de fato o conceito significa).
Me falta:
Rever os que amo, ter o homem que amo a meu lado, construir algo com ele.
Não quero respostas agora. Tenho tudo o que mereço, o que procuro, o que alcanço. Tenho o que há para ter. Agora.
E, como presente, descobri no dia 26 de outubro a música que me define, cantada por Peggy Lee.
When I was 35 I woke up and asked to myself: "Is that all there is?". Of course not, I've said. There is much more.
Is that all there is, is that all there is?
If that's all there is my friends, then let's keep dancing...
Let's break out the booze and have a ball
If that's all there is...
I know what you must be saying to yourselves: if that's the way she feels about it why doesn't she just end it all?
Oh, no, not me.
I'm in no hurry for that final disappointment,
for I know just as well as I'm standing here talking to you,
when that final moment comes and I'm breathing my last breath, I'll be saying to myself: Is that all there is, is that all there is? If that's all there is my friends, then let's keep dancing...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Marilu!
Adorei a coisa do canal 1 e do canal 2! E você me escondeu todo esse tempo que tinha ido no show do Abba????? aaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!
...e também não conhecia a Peggy Lee! Adorei!!!
Fiquei me deliciando com a declaração de amor do "eu estalo, tu estalas".
Que lindoooooo!
Que ele te esquente muito quando chegar aí :)
Postar um comentário