Cansada da vida de jornalista e totalmente ciente da monotonia e chatice da mídia brasileira (e aliviada por não ter que escrever uma linha sequer sobre a estupidez das eleições municipais), fui surpreendida em Londres pela saborosa notícia de um "dwarf burglar recruited by a gang".
Minha primeira reação: como é que nenhuma gangue no Brasil nunca pensou em contratar um anão?
A criatividade britânica no quesito criminalidade me surpreendeu. O pequeno meliante _ ou "diminutive criminal",conforme o delicado relato da mídia britânica _ era parte fundamental de uma engrenagem especializada em assaltar casas fechadas em períodos de férias, prédios abandonados, edifícios aparentemente desabitados, mas com algum buraquinho ou uma frestinha qualquer à vista. E pumba, lá mergulhava o dwarf.
O carinha foi preso com a cabeça entalada num buraco de uma casa. Deu azar, o probrezinho. O policial achou a cena meio estranha e prendeu o miúdo.
Ler as matérias foi um momento de satisfação ímpar. É possível fazer jornalismo sério com senso de humor. A importância está mesmo nos detalhes. Neste caso, nos pequeninos detalhes. "It's a tall man's world", disse o ladrãozinho para tentar explicar a razão dos delitos. A sentença do juiz: "Por ser capaz de passar por buracos, é correto dizer que ele tinha certas vantagens em relação aos outros da gangue. Por isso, seus companheiros o estimularam a fazer parte deste grupo criminoso já que, como consequência do seu tamanho, ele sempre encontrava a forma mais fácil de entrar em pequenos lugares".
No Brasil, possivelmente a grande imprensa ia dar um jeitinho de transformar a notícia mais incrível dos últimos tempos numa idiotice politicamente correta, do tipo: quantas multinacionais empregam anões em São Paulo?
Mas, enfim, felizmente o mundo é mesmo dos altos. E por isso eles vendem jornal.
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