quarta-feira, 11 de junho de 2008

Nostalgia antecipada de Brasil

Nunca havia pensado sobre como me identifico com ele.
Mas onde é que eu vou sentar-me à mesa e ouvir casos mirabolantes de parteiras enquanto como pão de queijo e tomo um cafezinho? Onde, senão em Minas Gerais, vou reunir-me com os mais antigos amigos enquanto saboreio a cervejinha (porque o que é bom na minha terra leva um suave diminutivo) e o torresmim?
Há outro lugar, além do Rio, onde você se joga na informalidade, abusa dos chinelos, se enfia no sol, liberta o espírito, pára num trailler vagabundo e se sente uma verdadeira rainha no topo de um morro olhando para o Corcovado enquanto o seu chope não vem?
E existe coisa mais inesperada que acordar com um dia bonito e vê-lo terminar gemendo de frio enrolada no seu edredon, regado a vinho, pães e sopa, enquanto a garoa cai em São Paulo?
E onde os pastéis serão mais gostosos, as feirinhas serão tão abundantes, o trânsito tão irritante? Onde o meu taxista vai ser um baiano arretado que passa todo o trajeto da marginal me contando a triste história do colega sortudo que juntou "pra mais de 22 dois milhão" e perdeu tudo na mesma cruel jogatina do bicho?
Onde encontrarei nordestinos tão risonhos, gaúchos tão ensimesmados? E em que outro país do mundo eu seria bisneta de uma índia casada com um francês?
É, eu sabia que gostava dele, ainda que tivesse com ele uma relação de mãe enérgica que tem total consciência de todas as limitações do filho. Ou de amiga sincera, que não deixa de contar as verdades que ele merece ouvir sobre seus toscos comportamentos.
Mas agora que eu vou ficar um pouquinho longe sei que ele vai fazer falta. E arrisco-me a dizer que, na volta, provavelmente terei certeza de onde quero morar.

Um comentário:

Vera disse...

Ingrata! Nem uma menção a Brasília???? Hehehehe.