segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ao Largo

Não sei se o nome surgiu pelo comércio de batatas. Mas as vejo, em larga escala, entulhadas em carrinhos de supermercado e à venda em várias banquinhas.
Vejo aqui no Largo da Batata um conto de fadas só de gatas borralheiras, sem direito a cinderelas. Mas com muitos castelos.
O Luzes de Miami brilha resplandecente após as 23h, com flashes azuis e vermelhos em neon que deixam qualquer pedestre desavisado hipnotizado.
O Paulinho, Paulinho, Paulinho não deixa dúvidas sobre a importância da hereditariedade. Tradição, contos que passam de pai para filho.
Para os que têm sede, o Goela Seca. De tudo pode oferecer.
A famosa casa de pesca fica ao lado da sapataria e da loja de biscoitos. Muitas gatas, as borralheiras, saboreiam os de polvilho nos pontos de ônibus.
Príncipes não encantados buscam milho verde ralado no carrinho que improvisa o trailer de sanduíche.
Adolescentes cansados usam o fliper; pais cansados pensam em entrar no sex shop escondido aos fundos da lojinha de lingerie.
A trilha sonora é estridente.
Descobre-se no Largo quem é a dupla Hudson e Edson.
Descobre-se sobre histórias sem varinha de condão.
Descobre-se sobre a impossibilidade de reverter alguns feitiços.
Descobre-se algo sobre quem vive nesses castelos, sempre ao largo.

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