Palhaços. Vamos direto ao ponto. Nada me apavora mais que palhaços. Poderia discorrer sobre o pânico implícito e dissimulado com mudanças de casa, país e estado civil (considerem os formais e informais). Mas tudo é fichinha perto dos palhaços.
Nada a ver com o palhacinho de cartolina maravilhoso que minha irmã fez no meu aniversário de cinco ou seis anos. Também nenhuma relação com a capa do LP do Carequinha, que deus o tenha, porque o Carequinha é uma entidade. Quase um santo.
Estou falando de gente-palhaço. Palhaço de rua. Os que aparecem sem avisar e pregam o focinho vermelho de plástico no vidro do teu carro no sinal (ou farol, como queiram). E acham que estão fazendo um bem à população estressada das metrópoles.
Aqueles tipos palhaços que ficam freneticamente esfregando os olhos com as mãos achando que estão fazendo "carinha simpática de criancinha com fome".
Os que se pintam sem classe, com uma intenção clandestina de imitar o borrado que fica depois das falsas lágrimas. E ainda acham que a graça pinta como se fosse batom.
Palhaços dissimulados, pedintes de alegria. Palhaços sinistros, tristes no meio da rua. Palhaços que fazem a palhaçada de te dar um puta susto porque, desavisado, você deixou aquela maldita fresta do vidro aberta. Bem feito. Quem mandou ser tão desavisado...
Podem me chamar do que for, acionar o Código de Defesa do Consumidor ou a Sociedade Protetora dos Palhaços. Nada mudará minha impressão. Palhaços não me animam, não deixam meu dia mais leve, não me fazem dar risadas, não me despertam nenhuma atenção positiva. Me irritam, me assustam, me dão MEDO.
E andando pela cidade mais atenta a movimentos vespertinos, como o de adolescentes em casas de fliper (deve ter algum nome mais moderno para isso depois que inventaram as Lan Houses, mas eu sinceramente não sei), descobri qual é o segundo lugar do pavor: as maquininhas de dança nas quais você tem que bater os seus pés com força num tablado para imitar os movimentos e os sons que algum pateta (ou palhaço) te manda fazer. Resultado da cena pavorosa: um ser humano olha fixamente para a tela do joguinho do fliper, é incapaz de perceber que pode estar sendo observado por um número significativo de pessoas, e fica pulando sem nenhum sentido, ao som de nenhuma música plausível. Medo, muito medo.
Para finalizar, a terceira posição: buffets especializados em festas infantis com seus espaços próprios para a grande comemoração em questão, incluindo os MONITORES (pessoas quase alopradas que vão ficar cantando e pulando na frente dos teus filhos e dos filhos dos teus amigos sem que eles consigam achar a menor graça) e os arcos de balões laranja e preto (quase sempre eles colocam os pretos, para dar muito pânico). Vamos combinar, pais: isso é tremendamente assustador.
Agora, a visão do fim do mundo: a entrada do céu é um arco de balões pretos e azuis, Jesus é um monitor, acompanhado de 12 palhaços, e cada um dos palhaços-monitores ensina o visitante a dançar na heaven-machine, a versão espiritual das maquininhas do fliper.
Nada melhor que encarar os meus medos terrenos.
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