As horas passaram assim como passam quando a brincadeira é tremendamente boa.
O bolo acabou rápido, assim como os anos que as velas representam.
Ele circulava entre as mesas com um rosto e uma idade que eu talvez não compreenda.
Com as máquinas fotográficas penduradas no pescoço, só entendo a razão dos registros.
Olho para os mais velhos. Bem velhos. Os pequenos. Bem pequenos.
São todos muitos.
E ele os cerca, em todas as direções.
Ele os abraça. Os aperta. Os protege.
Seu império de emoção liberta e asfixia.
Mas estamos todos lá.
Por desejo. Amor. Consideração.
Gratidão, talvez. Seguimos com ele.
Mas é só à noite que eu flagro a cena de amor.
Ele, cansado, a agradece. Pela festa, pelas cinco décadas juntos, pelos seis filhos, pelos inúmeros bolos, as horas de brincadeira, a ausência de liberdade, o excesso de proteção. Os álbuns. As certidões. Os títulos das bodas. O ar. A falta dele.
Ela só diz que ele merece mais.
Parece que se beijam, não sei.
E eu, no quarto ao lado, clandestina, choro ao entender que no silêncio também há amor.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
chorando, te digo: tava com saudades dos sentimentos que encontro aqui. bjs
Maria Lúcia! A festa é do seu pai? Que fofo! Me conta depois como foi.
Bjs
Ninfa Mãe
Postar um comentário