terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Não-lugar

Evoluímos e, enfim, chegamos à Praça de Alimentação.
Ali sentada, admirando a harmonia do lugar elaborado pela condição humana contemporânea,
me dei conta de quão assustadora é nossa criação.
Existe um som abafado de bocas que não escutam. Ou, se escutam, têm muito pouco tempo para isso.
As pessoas se acotovelam, se esbarram. Mirando o prato alheio, vejo muita batata-frita, muita massa, muita fritura.
Verdadeiras toras de tortas de chocolate.
Pouca cor, resumindo assim.
As amigas ao lado da minha mesa resolvem discutir uma nova proposta profissional. Tudo se resolve em quinze minutos.
O casal de japoneses come pausadamente, arroz com feijão. Não falam. Dispõem de poucos minutos de almoço.
Inventaram agora os caçadores da Praça. Eles gritam, berram, te atropelam com cardápios para te convencer que são melhores que os outros.
Eu como salada, sozinha. Fico triste por não ter cinco minutos para almoçar com um amigo.
Porque realmente as Praças de Alimentação são lugares de encontro, entrosamento.
Pontos arejados, para quem busca um lugar sagrado para a hora da refeição.
O lugar perfeito para a pausa tão merecida do trabalho exaustivo.
Perfeito para respirar.
Bonito olhar para o lado e ver milhares de placas de neon dos restaurantes.
Incrível a mágica de estar lá de dia, de noite, e não ter a menor idéia do tempo lá fora.
Os homens realmente são máquinas de criação.
E se fizeram as Praças, mal posso esperar pela próxima novidade.