Quase madrugada, marmitex debaixo do braço, os dois trocam idéias no metrô antes de chegar à construção.
"Você sabe a diferença de poblema e pobrema? Já vi gente falando as duas."
"Sei", responde certeiro o outro. E se cala. Respira, antes da sentença.
"Poblema é de matemática ou coisa de cabeça. Pobrema é o que a gente tem lá em casa."
O outro balança a cabeça, totalmente de acordo. E tem olhar aliviado, depois de acumular tantas dúvidas com a estranha ortografia portuguesa.
Na mesa do bar, anos ou meses mais tarde, repetida a história sucessivas vezes, com acréscimos e decréscimos que os contos costumam ter, Gisa formula a nova teoria: "E problema é falta de dinheiro, porque além de ser matemática é o que eu tenho lá em casa. E ainda dá dor de cabeça".
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