Josefa procurava emprego e como tinha carta de recomendação foi chamada para uma conversa na casa de Dona Solange.
A madame explica com detalhes todas as funções futuras de Josefa: preparar o café da manhã para a família, arrumar todos os quartos, trocar roupa de cama dia sim, dia não, recolher as toalhas molhadas que as crianças costumam deixar jogadas em cima das camas, encerar, espanar, varrer, abrir todas as janelas para deixar o sol entrar, molhar as plantas do jardim, preparar então o almoço, o jantar.
Haverá dias em que será necessária a preparação de lanche da tarde especial para visitas do chá das cinco.
Familiarizada com todas as tarefas, Josefa não pestaneja, não desanima, segue rígida, atenta a Dona Solange, reparando no tamanho imenso da casa.
“E então, para esse serviço, quanto você cobraria?”
Ela permanece calada. Dona Solange imagina que vá cobrar caro.
“E então, Josefa, pode dizer.”
Josefa balança a cabeça, como se de imediato já tivesse concordado com tudo, independente do preço.
“Vai cobrar um absurdo”, sentencia calada Dona Solange.
“Com penso ou sem penso?”, questiona Josefa.
“Hein?”, retruca Dona Solange.
“Com penso ou sem penso?”, reitera a indagação.
É a vez de Dona Solange se calar por alguns minutos.
Ela mira Josefa. Balança a cabeça levemente. Sacode ligeiramente os ombros.
“Por que se for com penso sai mais caro. Sem penso é mais barato.”
Dona Solange tenta se ajeitar na cadeira, num evidente sinal de desconforto. Primeiro se sente inculta. Depois acha que é pegadinha. Classifica mentalmente de abominável seu preconceito subliminar por imaginar que não é obrigada a dominar gírias de mucamas, nomes de produtos de limpeza.
Balança de novo os ombros. Passa a mão na testa. Mira Josefa. Leva as mãos à frente do corpo(o gesto `como assim?´)
“Se penso o que vai ser no café, no almoço, no lanche, no jantar, a roupa que vai nas camas, a cor das toalhas, aí é mais caro. Se não tem penso, mais barato.”
Dona Solange repete o gesto. Não responde, retoma algumas observações sobre os cuidados com o lar.
Mais alguns minutos de conversa, Dona Solange agradece, diz que vai pensar e telefonar.
Josefa não fala o preço.
Deixa a mansão caminhando com a certeza de que Dona Solange não ligaria.
E pensa que o crime não compensa.
ADVERTÊNCIA:
Os nomes uilizados neste conto são pura ficção. Os fatos, para meu deleite, reais. Eu juro, Camys. Eu juro, Lu. Bi,você não vai ler, mas é verdade. A Gisa pode confirmar tudo. Eu juro.
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Um comentário:
reais na medida do possível, né, mary. mas de que vale a realidade toda? o texto ficou delícia. e Com penso e Sem penso são definitivamente um importante apredizado, isso sem sombra de dúvidas.
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