quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

´Disco de mim`

Por mais de uma vez pensei em rivalizar com o tempo.
Idéia recente foi discutida e aprovada entre o público feminino.
“Olha, gostei de você. Leve o CD, coloque no DVD, dê uma olhada, selecione as cenas. Se interessar, vá no ícone contatos, pegue meu e-mail e telefone, e me procure.”
Ou assim: “Você tem seu CD aí?”
O ´seu CD` economizaria muito tempo. E faria quase que uma seleção natural das espécies.
Você se apresenta, seleciona os aniversários mais importantes, faz um resumão do período da faculdade, opta por mencionar ou não os ex-relacionamentos mais relevantes, explica se toma ou não tarja preta, admite limitações básicas, mostra cômodos da casa, fotos da família, algum texto que já fez e gostou, filma rapidamente a estante de livros, lista hábitos, conta alguma coisa do trabalho (a longa parte que te frustra e a pequena parte que te faz feliz), relaciona interesses intelectuais atuais. Diz se é mais carnaval ou semana santa, se é cerveja ou destilado, se é Beatles ou Rolling Stones. Ou os dois juntos. Pronto. Simples assim.
Vocês trocam os ´seus CDs`. Cada um analisa. Pensa com carinho. Vê se o jeito da pessoa te agrada. Imagina perguntas interessantes sobre algo que ela já tenha mencionado no CD. Em menos de trinta minutos você já conhece a família do outro, os ex, sabe onde está pisando e não vai precisar passar por aquele momento ridículo de ter que perguntar “e aí, o que você faz?” só para puxar assunto.
Porque a preguiça está basicamente no início (também no meio, também no fim).
Mas há uma preguiça incalculável nos inícios. Já imaginou ter que ficar falando sobre os últimos 30 e tantos anos para alguém que você nunca viu na vida? Ou seja, a probabilidade de isso dar errado é altíssima.
Com o CD não. Tá lá. Você decide. Assiste, não assiste. Gostou, não gostou. Ninguém entra em bola dividida. Ninguém insiste em vão.
Você economizaria mais ou menos uns três anos com o CD.
Porque, sem o CD, no primeiro ano vai insistir em contar pílulas sobre os ex-relacionamentos sob o argumento de que não quer repetir os mesmos erros.
No segundo ano vai tentar algum tipo de aproximação real entre ele e sua família.
No terceiro ano vai começar a revelar o que realmente importa, o que realmente gosta, o que realmente te interessa, e quais realmente são suas aspirações profissionais e intelectuais para o futuro.
Tá, admito que esse cronograma está longo demais e que podemos substituir os três anos por três meses. Ainda assim você ganha um baita tempo se tiver o CD.
E tem que pensar que o CD é um título rolado a longo prazo no mercado.
É a partir do CD que você decide ou não comprar as ações.
Agora, o investimento não é seguro.
Aplicações em bolsa não são.
Porém, o CD é o seu corretor de bolsa avisando de antemão que não adianta ter pânico na baixa nem entusiasmo exacerbado na alta. E que há recessões norte-americanas pelo caminho. Mas você bem que avisou.
Pense nisso. Faça o seu CD.
E, se quiser, leve o meu pra casa.

Um comentário:

Unknown disse...

Boa idéia, vou fazer um CD agorinha. rs