Dei-lhe o nome de Brisa no livro que nunca terminou.
Sua amizade é suave, refrescante.
É do tipo que areja as mentes ensimesmadas, sisudas pela rotina. Pelo tempo, pelo vento.
Contei-lhe que seria a brisa das páginas.
“Eu ia ser a libélula, né?”, ela me perguntava às vezes.
Porque ela é assim. Nasceu pra fazer indagações às avessas.
“Hoje podia tanto ser ontem pra gente ter mais tempo para dormir”, soltou ela no elevador, ao término do nosso encontro de Natal de 2007, já com seis (*).
Ela também muda o calendário em ano bissexto.
“E se a quinta-feira santa cair na sexta?”
Só pude responder que, sendo assim, Sexta-feira da paixão ia virar sábado e talvez Jesus não fosse gostar muito de ressuscitar só numa segunda-feira qualquer.
Tem música que é só dela. Duas, pelo menos.
Ontem ouvi uma delas no rádio. Nunca soube quem toca isso, porque só ela sabe a letra inteirinha em inglês. E ensinou a todas nós. Diz algo mais ou menos assim: que quando se olha pra trás, entre outras tantas coisas, nunca se quer dizer adeus.
“Deixe de lado esse baixo-astral, erga a cabeça, enfrente o mal”, diz a outra canção que ela sempre recorda, num samba, numa roda, num dia de tristeza.
Ela muda o nome de cidades. Já nos obrigou a tomar sopa de repolho para ficarmos todas magras.
É a única sarada da turma, mas nunca vai ser igual às ratas de academia (graças a Deus, seja lá em que dia seu filho tenha ressuscitado).
Larga jornalismo por medicina e ainda assim consegue levar a vida com a leveza que só as brisas podem ter.
Hoje podia tanto ser ontem para que eu pudesse passar mais horas e mais dias da minha vida com você.
(*)NOTA DE RODAPÉ - Somos cinco, mas uma tem bebê. Por isso viramos seis.
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4 comentários:
Malu, impagável, imperdível!!!! Há tempos não visitava seu blog, e hoje de deliciei com ele... Seus novos textos são os da velha e boa Malu. Entendi o que você me disse no natal sobre o texto refletir seu estado de espírito; então imagino, e espero, que você esteja mais feliz esse ano, porque seu textos voltaram a ter a graça e a leveza que só alguns poucos escritores têm. Pelamordedeus, não deixa nunca de escrever!!!!
Ah, talvez você não reconheça a assinatura... Para não te deixar na dúvida: o comentário anterior foi da mãe da Bel.
hoje tô meio chorona. acho que são aquelas coisas que só a tpm pode fazer por uma mulher. talvez não. talvez seja saudades. de tudo isso que li. talvez felicidade pura, de te ver escrevendo tanto e cada vez mais gostoso. talvez vontade de conseguir falar assim tb. talvez medo dos próximos posts... hahahah
nem preciso falar que amei ler esse, looking back... muitos beijos e vida longa pra sua mente linda e poderosa!!!!!!
ah... e como ficou na minha cabeça, claro, ela cantando, vamos lá:
"...não estou dando nem vendendo, como o ditado diz, o meu conselho é pra te ver feliz"
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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