Giro a chave e a portinhola está emperrada. Excesso de volume.
Muita comida chinesa barata, as últimas novidades do setor de plástico _como a vasilha para secar salada com cordinha e ímã _, mais uns cinco prédios novos só na minha rua, gente avisando que faz trabalhos para trazer de volta o seu amor _e o pagamento, minha filha, só depois do resultado _, extratos e mais extratos bancários, condomínio não pago, banda larga, só telefone, aviso sobre a dedetização de fim de ano, japonês que também entrega em casa, a difícil realidade sobre cartões de crédito, as facilidades de comprar gás por telefone, delivery de ração de gato...
Olho de novo para a caixinha do correio e não consigo imaginar espaço para tanta inutilidade num recipiente tão pequeno.
No meio de tudo, envelope branco, não assinado. Um cartão. Leio. É Tadeu, o primeiro a desejar que o ano seja bom, que o Natal tenha algum significado.
Me emociono.
Não acumulo raiva pelo fato de Tadeu ter colocado tudo aquilo na minha caixa postal. Ele se redimiu. Deixou um abraço, se apresentou.
Quis escrever de volta. Tadeu não deixou endereço.
Tem nada não.
Dia desses, quando abrir a janela, ele vai estar lá embaixo, ainda de amarelo e azul.
“Ei, Tadeu, feliz 2008.
Um beijo, Malu.”
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário