Dez da manhã, e nada de Maria. Nem me inquieto.
Aprendi, em dois anos, que é bombástica a combinação: chuva, São Paulo.
Ela chega agitada. Não dá justificativa inicial.
“Achei que esqueceu de mim”, comento.
Aí vem a ladainha normal dos aflitos: “Acordei às 5h30, achei melhor passar pela marginal para ir rápido, mas na entrada do Piraporinha já tava tudo parado.”
Sem nenhum traço de mau humor _ o que me parece incrível após uma jornada de mais de duas horas aos trancos e barrancos _, a minha Maria dá risada e continua: “E todo mundo dentro do ônibus telefonando para as patroas pra avisar do atraso. Eu me lembro que depois de trabalhar 20 anos na casa da Dona Ivonete sempre explicava os atrasos. Ela nunca acreditava. Agora nem explico mais.” Para ninguém, que fique bem claro, endossa a minha Maria.
De saída, comento que é dia de mega-sena. “E se eu ganhasse? Eu não podia voltar pra lá onde eu moro, né?” Explico que não. E que de preferência não deve contar a ninguém. “Podem roubar os meus filhos”, ela pensa em voz alta, já contabilizando uma numeralha que nunca terá na conta bancária. Sugiro que ela compre um apartamento na Vila Madalena. “Tá pensando o que, minha filha. Vou logo pra Alphaville!” Então tá certo. Já convencida de que perderia a minha rica Maria, ela solta mais uma: “E vou ter uma faxineira feroz. Com horário para entrar e para sair.”
Deixo a casa, sem nenhuma crença na mega-sena _ está claro que a vitória será de Maria _ e pensando na possibilidade de, um dia, trabalhar em Alphaville.
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Um comentário:
Braço Forte e Mão Amiga!!!!
Maria vai ser a nossa primeira cliente! hahahahahaha
sensacional, mary. amei também o perfume e o sexto elemento. que seja bem vinda mesmo!!
beijos
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